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Pelagianismo e Semi-Pelagianismo.

RESENHA
Valdemir Pires Moreira*
DE OLIVEIRA, IVAN.

 

Pelagianismo e Semi-Pelagianismo.
São Paulo: Editora Reflexão, 2016, 70 p.


No decorrer da história do Cristianismo surgiram vários debates teológicos que foram de fundamental importância para a construção de uma teologia centrada nas Sagradas Escrituras, dentre elas, encontramos o debate entre o Bispo Agostinho de Hipona e o Monge Britânico Pelágio. Debate esse, que se faz necessário compreender, para que venhamos nos inteirar de outro debate que houve posteriormente na história, que foi a refutação de Jacó Armínio, teólogo holandês, aos ensinos de João Calvino, teólogo francês, debate esse que veio à tona em nosso país, e que tem sido motivo de debates tanto nas redes sociais como em igrejas. Pelagianismo e Semi-Pelagianismo é uma obra com poucas páginas, mas longe de ser uma obra simplista, pois contém um conteúdo profundo e esclarecedor sobre o assunto. O autor, Dr. Ivan de Oliveira é teólogo, e nos convida a entender a partir dos escritos de Agostinho, o que Pelágio defendia. O autor faz isso sem, no entanto, querer fazer uma defesa de Pelágio. O trabalho é composto de uma introdução, a qual deixa bem clara que a referida obra não tem a intenção de fomentar discórdia, e sim o diálogo. Em seguida traz uma rápida abordagem sobre a vida de Pelágio e seus ensinos e informa-nos o ano 400 d.C. como aparecimento do mesmo em Roma. Sobre os escritos de Pelágio relata-nos, que a princípio se tratava de um
conteúdo de caráter ascético e moralista. Pontua que nem uma obra de Pelágio foi traduzido para o português, e que as informações que temos vem dos textos de seus opositores. Conclui essa primeira parte do livro abordando a tríade dos ensinos de Pelágio e com informações acerca do semipelagianismo (semiagostinianismo). Na segunda parte da obra ele vai tratar do debate entre Agostinho e Pelágio, e nos revela as heresias na teologia de Pelágio, bem como a variação no pensamento de Agostinho. O autor de maneira esclarecedora chega tecer ricas observações sobre os ensinos do novo Agostinho e do velho Agostinho, abordando sua constante mudança quanto a doutrina do livre-arbítrio na vida do homem antes e após a Queda. A terceira e última parte faz uma defesa da posição arminiana clássica, no que diz respeito, que a mesma defende a depravação total, ensino defendido entre arminianos e calvinistas. Mas não se omite em relatar o abandono de alguns arminianos, que passaram a defender uma visão mais otimista do livre-arbítrio, o que os levou a cair no semipelagianismo. A presente obra veio preencher um espaço necessário na coleção arminianismo publicado pela Editora Reflexão. Fica aqui meu agradecimento ao Dr. Ivan de Oliveira pela excelente pesquisa e contribuição para teologia cristã em nosso país.

*Valdemir Pires Moreira é diácono da Igreja Evangélica Assembleia de Deus de Caucaia (CE), professor da Escola Bíblica Dominical e Administrador das páginas no Facebook Teologia Arminiana em Vídeos e Teologia Arminiana em Livros.

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